segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Para a próxima aula (21/09)

Poste aqui seu comentário sobre os textos Frank Sinatra está resfriado e Como não entrevistar Frank Sinatra.

6 comentários:

Laiz Marinho disse...

Os textos são muito bons. "Como não entrevistar Frank Sinatra" é um guia do fazer jornalistico: apuração e pesquisa, até dicas de como arquivar depoimentos e outras táticas importantes para se montar uma boa reportagem.
O texto "Frank Sinatra está resfriado" é o resultado de todo o trabalho ditado no texto acima. O autor consegue montar o perfil de Frank Sinatra sem entrevistá-lo pessoalmente, mas usa de entrevistas feitas com pessoas próximas ao cantor e de cenas que ele mesmo viu e acompanhou.
Gay Talese utiliza do "new journalism", uma mistura da narrativa jornalística com literatura, que é muito interessante, deixando a leitura muito instigante, pois as páginas passam e mais vontade você tem de lê-las.Sem contar que os textos de Talese são da década de 60 e muito atuais.
Laiz Marinho - 6° semestre - Noturno

Jusciléia Santos disse...

Quem lê “Sinatra está resfriado”, a primeiro momento imagina que uma pessoa muito próxima é o relator de todos os fatos. Um grande engano, pois o narrador de toda história é o jornalista, Gay Talese. Ele consegue despertar a emoção até mesmo em que não acompanha as obras deste cantor.
Gay Talese conta detalhadamente o dia-a-dia de Sinatra, é incrível o quanto suas palavras chamam a atenção o cuidado que ele tem de passar realmente quem é o verdadeiro Frank Sinatra, com seus defeitos, manias, o grande respeito com o qual ele trata seus amigos.
O autor se difere dos jornalistas atuais, pelo tratamento do texto, que mesmo longo, prende a atenção, é gostoso de ler. Ele se preocupa em conversar com as pessoas que convivem com este homem, dá a nítida impressão que a conversa com Sinatra durou horas, dias, mas não, ele só acompanhou este ídolo americano sem trocar uma única palavra. Trechos de músicas introduzidas no texto entorpecem, revelando mais ainda o grande sentimento que Frank tem. Para os amantes, é a melhor opção.
O jornalista é sensacional, criativo, pena que atualmente não se vê mais o respeito com uma matéria como ele teve. Hoje, além dos escritos serem breves, já no início desmotivam o leitor. Não consegue fazer aquela ponte perfeita entre entrevistado e fã. A naturalidade de como é contada uma história nos faz acreditar que o entrevistador se tornou um grande amigo do entrevistado.

Jusciléia Santos

Jusciléia Santos disse...

O texto “Como não entrevistar Frank Sinatra” relembra os tempos em que eram construídas boas matérias, em que o repórter tinha tempo para apura dados, que faziam o leitor sentir-se mais próximo do entrevistado. E, é apartir de relatos confidenciados por Gay Talese, autor do texto, que podemos perceber o quanto o jornalista moderno se tornou preguiçoso, o quanto ficou refém da tecnologia, ou seja, da velocidade da informação.
São poucas as editoras que se comprometem a gastar com trabalhos de campo, que sem dúvida, rendem boas matérias. Fatos, assim, deveriam despertar o jornalista do futuro e fazê-lo repensar qual é o verdadeiro sentido de sua profissão. Mas no meio jornalístico o que dita um bom comunicador é o furo de reportagem.
Cabe ao entrevistador ter um maior contato com o entrevistado, não conhecê-lo superficialmente, mas se possível acompanhá-lo para que sejam colhidos detalhes que fazem toda a diferença. O bom jornalista sem dúvidas se identifica com esse autor. É emocionante a maneira com a qual ele descreve as dificuldades que se colocam em meio a sua apuração. A editoras deveriam ter mais contato com textos assim, para que haja o despertar para uma reciclagem e, consequentemente, exigir a mesma coisa dos futuros profissionais que já estão e, que entrarão no mercado de trabalho.

Jusciléia Santos

Nina disse...

Uma lição de jornalismo, fugindo da estrutura rígida da pirâmide invertida, Talese consegue escrever o perfil sem entrevistar o perfilado. Ao descobrir que Sinatra não concederia a entrevista, Talese poderia ter voltado para a redação, mas entrevistando todo mundo que está à sua volta e observando-o com atenção que ia além dos gestos, ele conseguiu escrever umas das mais famosas reportagens da história.
O texto tem uma liberdade quase literária. "Sinatra está resfriado" é confirmação que o lead não é a melhor formula para o jornalismo, ou melhor, prova que não existe uma "receita pronta" para escrever uma boa matéria jornalista, afinal de contas jornalista não é cozinheiro.

Caroline Nardiane disse...

O texto “Frank Sinatra está resfriado” mostra de uma maneira natural e intima a personalidade de um homem vaidoso que perdeu tudo que tinha, mas depois recuperou principalmente se tratando de mulher. O texto detalha o cotidiano do cantor ignorante e ao mesmo tempo amigo. Descrevendo e evidenciando detalhes e adjetivos minuciosos, o autor demonstra como era verdadeiramente Frank Sinatra. Diferente de muitos jornalistas e acompanhado de tempo e disposição o autor Talese relata de uma maneira intima, o jeito, personalidade, manias e defeitos de Sinatra.
Gay Talese conta que Sinatra estava fazendo um filme que o aborrecia e não via a hora de terminá-lo. Preocupado com sua atuação em um especial da NBC intitulado Sinatra – Um homem e a sua Música, Sinatra muitas vezes era apreensivo com o trabalho e com as pessoas que o cercava, principalmente quando debilitado. Não muito diferente das outras pessoas, Sinatra era considerado uma pessoa normal, um ser humano qualquer com seus defeitos e qualidades. Ao mesmo tempo em que Sinatra podia ser o melhor amigo, ele pode também podia explodir numa terrível fúria de intolerância com seus companheiros e amigos de trabalho. Enfim, Sinatra era supranormal.


No texto “Como não entrevistar Frank Sinatra”, o autor relata a decadência do jornalismo de revista. Estão cada vez mais raras, matérias criativas, espontâneas, instigantes e com uma produção detalhada em que o tempo e a energia não é tida como impedimento.
Com a falta de tempo e com o acesso a novas tecnologias o trabalho “corpo a corpo” e “detalhes” não são muitas vezes evidenciadas. Isso ocasiona um trabalho superficial e computadorizado.
Ao contrário do que deveria ser e diferente da década de 1960, por exemplo, presenciamos atualmente editores gananciosos por um furo de reportagem, ao invés de fornecer matérias organizadas e dignas de serem publicadas. Com isso, quem é prejudico é o leitor que recebe uma matéria não tanto apurada e com uma revista inexistente de credibilidade.
O autor instiga uma maneira confiante de fazer jornalismo e que está perdendo a essência. Creio que muitos deveriam seguir um estilo observador para realizar uma determinada matéria, principalmente ao tratar de situações reveladoras. É preciso raciocinar junto com o entrevistado, conseguir encontrar a essência do que ele diz. Acompanhar, está íntimo de detalhes e expressões e não confiná-lo e obrigando-o a expor tudo o que acha em um horário pré-determinado. Enfim, é preciso ter um grau de confiança pela pessoa entrevistada e consigo mesmo.

Francisco Elizeu Porto Nascimento disse...

"Como não entrevistar Frank Sinatra" é uma reflexão de Talese sobre o seu próprio trabalho e elucida as estratégias do autor para a realização da obra "Frank Sinatra está resfriado". O trocadilho "Como não entrevistar..." é uma analogia ao distanciamento entre o repórter e o entrevistado, que não se dispôs a conceder à clássica entrevista (o “olho no olho”, o “testa a testa”). Por outro lado, o jornalista não sucumbiu à idéia de seguir em frente ao traçar um perfil sem o perfilado: a aproximação com as pessoas próximas ao artista, a opção por fontes alternativas, o discurso narrativo literário, a condução da estória por um fio condutor (o resfriado), além das técnicas da subjetividade, descrição de cenas e personagens, foram alguns dos elementos trabalhados nessa brilhante narrativa "Frank sinatra está resfriado", que mantém a perenidade, além de ser considerada o ponto de partida e uma referência para o jornalismo literário.

Por Francisco Elizeu Porto Nascimento